Computador: à imagem e semelhança do homem (e da mulher)
- Por Pedro Mattar

O computador sintetiza com fidelidade todas as características humanas, o que inclui tanto as virtudes como os defeitos. Igual ao homem, o computador armazena informações. Com a diferença que faz isso, de forma mais organizada, mas não menos complexa. O computador é um homem melhor, em tese. Mas computadores também são sensíveis a erros e acertos e, reagem, nos dois casos, igualzinho a nós, humanos. Computador odeia ou ama, dependendo da compatibilidade de seu contexto e de seus aplicativos.
Se você tentar introduzir no seu computador um programa com o qual não compactue, ele irá reagir da mesma forma que fazemos quando não gostamos de alguma coisa ou lugar. Vai te odiar. Perde o humor, brocha e não funciona. Tente só integrá-lo a um programa diferente. Seu sistema de autodefesa entra em ação. Somos assim, também. Ele fala, escreve, vê e age. Nós, humanos, quando não queremos ouvir coisas que detestamos, nos desligamos do mundo. Ele faz isso. A gente deleta o que quer esquecer. Ele deleta, também. São capacidades tão comuns que é impossível negar o parentesco. Uma coisa nos assemelha demais ao clone eletrônico que criamos. É a sua versatilidade tão humana para construir personalidades. Exatamente, esses estágios diferenciados da mente humana, que nos ocorrem com menor ou maior intensidade e nos classificam entre psicóticos ou neuróticos. Os computadores reproduzem a demência humana com maior definição, pois a ampliam e a explicam. É só prestar atenção no comportamento de um computador, para perceber que nele a neurose e a psicose atingem patamares mais radicais, porém, perfeitamente humanos. Com a vantagem do autodiagnóstico. Igual a nossos melhores modelos de loucura, o computador altera a personalidade original, de seus rumos, quando manipulado de forma incorreta. A mesma coisa ocorre com a gente quando submetidos a pressões psicológicas - manuseio deficiente da nossa mente - seja na fase feto, fase criança, fase adolescente e daí pra frente, durante o nosso desenvolvimento vital. Os desvios humanos de personalidade acontecem por reação, igualzinho ao computador quando manipulado nas teclas erradas. Quando em uma conversa a gente não explica de forma clara o que diz, o mesmo ocorre com o computador quando utilizado incorretamente, sua resposta será inversa. Eles, os computadores, sofrem os mesmos períodos de ausência e fuga de certos enfermos mentais. Idealizados para ser iguais aos homens, sofrem de doenças psicológicas e físicas. Igual ao homem, não está imune a vírus letais, como a desprogramação de sua capacidade de raciocínio. Ou seja, o computador é racional na mesma proporção em que contribuirmos para que seja. Caso contrário, ele desanda. Afirmar que o computador é uma máquina fria, é um grande absurdo. Computador é tão subjetivo quanto a psicanálise. Pelo simples fato de que é humano. O computador somos nós, compactados. Ele pode ser tão louco quanto o nosso doente mental mais avançado. E, passar por gênio. Por ser igual ao homem, é um rival a ser considerado.

Pedro Mattar
É publicitário e publica no espaço Opinião – Jornal O estado do MS toda quarta-feira
pedromattar@uol.com.br

   

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